Simulador de consórcio — quanto custa não ter juros
Consórcio não cobra juros, mas custa. Veja a parcela decomposta como o Banco Central exige e a comparação honesta com um financiamento.
Do que a parcela é feita
No consórcio tudo é percentual da carta de crédito, nunca valor fixo em reais (Lei 11.795/2008, art. 27, §1º). A parcela tem três ou quatro partes:
- Fundo comum — o dinheiro que compra os bens do grupo. É a sua poupança forçada: ao longo do plano você paga 100% do crédito, dividido pelo número de meses.
- Taxa de administração — a remuneração da administradora. É o único custo de verdade irrecuperável. Não existe teto legal: o STJ decidiu na Súmula 538 que a administradora pode cobrar acima de 10%.
- Fundo de reserva — colchão do grupo contra inadimplência. O que sobrar é rateado quando o grupo encerra.
- Seguro — quando o plano tem.
O Banco Central exige que o contrato traga a decomposição da primeira parcela em valor e em percentual (Resolução BCB 285/2023, art. 2º, IX). É esse formato que a calculadora reproduz.
“Não tem juros” é verdade. E é meia verdade.
É verdade porque não há empréstimo: o grupo se autofinancia. Mas há três custos reais.
O primeiro é a taxa de administração mais o fundo de reserva — num plano de 18% + 2%, são 20% do crédito. O segundo é o custo do tempo: você paga antes de receber o bem, e esse dinheiro não rende para você. O terceiro é a incerteza: sem lance, a contemplação é sorteio.
Por que não uso TIR nesta comparação
Muita calculadora tenta transformar o consórcio numa “taxa de juros equivalente” usando TIR. Isso é matematicamente inválido aqui: o fluxo de caixa do consórcio troca de sinal duas vezes (você paga, recebe o crédito no meio, continua pagando). Para algumas datas de contemplação existem duas taxas que zeram o fluxo; para outras, nenhuma.
A comparação correta traz tudo a valor presente por uma taxa de oportunidade — que aqui é a taxa do financiamento que você conseguiria. Quem tem o menor valor presente de desembolso é o melhor negócio.
O crédito é corrigido, e a parcela sobe
A carta de crédito acompanha o preço do bem, ou o índice previsto em contrato — INCC em imóveis, IPCA em outros casos (Resolução BCB 285/2023, art. 6º). O percentual que você já pagou é preservado, mas o valor em reais da parcela sobe junto. Um plano de 80 meses termina com parcela nominal bem acima da inicial. Simulação que ignora isso engana.
Atenção a uma imprecisão comum: não é a lei que manda usar INCC. A norma manda seguir o preço do bem ou o índice que estiver no contrato. Leia o seu.
O resultado é uma estimativa. As calculadoras usam as tabelas oficiais de 2026 e as regras gerais da CLT para empregado urbano mensalista. Situações específicas — contrato de experiência, doméstico, rural, aprendiz, estabilidade, acordo coletivo, culpa recíproca — podem mudar o resultado. Confira sempre com o RH ou com um contador antes de tomar decisão ou assinar qualquer documento. As fontes de cada regra estão em Sobre e fontes.